Pantes Libres
(pantes = todos; libres = livres)
"Blogs, leituras, pouco, pois quem tudo sabe, tudo viveu?"
en.triste.ser
pele contrai
coração desritma
enjôo de tantas dores
rompo em lágrimas intoleráveis
deixo de tomar qualquer fôlego
porta-olhos cerrado com cadeado
gotas escorridas nos encantados amores
engoli minha existência
preencho invisíveis paredes introspectivas
bati fortemente os infinitos pensamentos
ninguém guarda suas chaves
mas aonde fica o sanatório?
fracassados remédios
não quero mais!
olhos transbordam dores assustadoras
nas linhas descritas ou rabiscadas em papéis
empoeirados de chumbo, grafite e tungstênio
ombros sustentam dois cérebros desconectados
doutorados descapacitam
as formas aprendidas para o bom dia
bastam caixas, comprimidos, notas de dinheiro
assim prendem nossas vidas em suas risadas contidas
dissolvidas pelas constantes práticas terapêuticas
apesar disso ainda posso chorar, chorar até o alento advir!
desaparecem amigos
versos cientificados como macarronada
indicam livros, profissionais, executivos de alta patente
porém esquecem o quanto dependem d’um céu
um céu límpido
folhas esvoaçam
meses, séculos
anos, bem como milênios
a voz, o teatro, o Direito, como pode?
comeram todas as páginas
dos códigos penais, todas as páginas!
dos códigos civis, todas as páginas!
todas as páginas e memórias
todos os dias e cerimônias
somente fantasmas esperam
por favor, vá embora!
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